sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Mais uma ... ITMA

Já se passaram 40 anos desde a minha primeira ITMA em PARIS em 1971.

De 4 em 4 anos realizam-se estas Feiras de Máquinas para a Indústria Têxtil.
Desta vez coube a BARCELONA a realização da ITMA'2011.
Nestas quatro décadas mudou completamente o cenário do mundo têxtil.
Se em PARIS em 1971 os visitantes eram na sua maioria europeus, em 2011 na ITMA de BARCELONA, apesar de estarmos na Europa, as caras que se viam eram maioritariamente de países do Extremo Oriente e de outros continentes.
O Sector têxtil deslocou-se.
Quando nos anos 70 a indústria têxtl se situava principalmente em toda a Europa, actualmente é em países como a CHINA, ÍNDIA, PAQUISTÃO, TURQUIA, IRÃO, INDONÉSIA e outros.
O BRASIL tem nos últimos anos aumentado substancialmente a sua Indústria Têxtil.
Não admira portanto que entre os mais de 100.000 visitantes da ITMA em BARCELONA, a maioria fossem provenientes desses países.
Lembrar que em 1971 os visitantes eram essencialmente de INGLATERRA, FRANÇA, BÉLGICA, ITÁLIA, ALEMANHA, ESPANHA e PORTUGAL, além de Americanos, Australianos e uns tantos Brasileiros. A Rússia enviava apenas umas delegações, tal como a China e os países de Leste.
Os maiores negócios eram feitos com ITÁLIA, FRANÇA, INGLATERRA, IRLANDA e PORTUGAL que forneciam os seus produtos ao mundo restante. As exportações da Indústria Têxtil Portuguesa tinham um peso substancial na nossa Balança de Pagamentos.
Já antes de 1974, em Portugal, a indústria deu os primeiros passos na modernização de equipamentos, mas foi nos anos 80 que a indústria conheceu o auge, nascendo muitas e modernas Fiações e Tecelagens além das existentes se terem modernizado. Criaram-se inúmeras fábricas de Malhas, Confecções e Acabamentos.
A Inglaterra foi desaparecendo do mundo têxtil, seguindo-se a França, Alemanha e Bélgica. Foram ficando as indústrias mais importantes em ITÁLIA e PORTUGAL. A ESPANHA nunca chegou a ter um forte sector, sendo mais consumidor do que produtor têxtil.
O declínio do sector em Portugal começa a surgir nos anos 90, pois raramente surgem novas unidades e as mais antigas vão apenas usufruindo das máquinas existentes, não fazendo, como até aí, novos investimentos.
Surgem as primeiras falências no início dos anos 2000, com a abertura das importações ao extremo oriente. Nos últimos anos o encerramento de fábricas tem sido constante, dando lugar ao desemprego de milhares de pessoas principalmente no Norte e Cento do país.
A Covilhã centro de excelência dos Lanifícios fica reduzida a pouquíssimas fábricas.
Guarda, Gouveia, Seia, Avelar, Castanheira de Pêra, Minde e Mira d'Aire, entre outros, quase desaparecem do sector têxtil.
A Norte, Santo Tirso, Vila das Aves, S. Martinho do Campo, Vizela, Guimarães, Fafe, Barcelos, Pousada de Saramagos e Vila Nova de Famalicão, onde existiam tantas fábricas, quase já não existem.
Assim, nesta Feira em Barcelona, os visitantes Portugueses eram mais "tipo turistas" do que propriamente interessados em fazer investimentos.
Longe estão as ITMAS, onde estive presente, de :
ITMA 71 Paris
ITMA 75 Milan
ITMA 79 Hannover
ITMA 83 Milan
ITMA 87 Paris
ITMA 91 Hannover
ITMA 95 Milan
ITMA 99 Paris
ITMA 2003 Birmingham
ITMA 2007 Munich
ITMA 2011 Barcelona
Naturalmente o panorama para a ITMA' 2015 de novo em Milão, não deve sofrer grande alteração.
Quando até à ITMA 99 em Paris o mercado era principalmente destinado à Europa, viam-se grandes novidades nas máquinas, havendo a preocupação dos construtores em apresentarem novas tecnologias destinadas a suprimir a mão-de-obra.
Neste aspecto a ITMA de BARCELONA foi uma verdadeira desilusão, mas entende-se. Hoje os grande investidores são os países onde a mão-de-obra ainda pouco custa e por isso sem necessidade de exigentes tecnologias.

Ficam algumas imagens ...
























Até .... MILÃO em 2015 !!!

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Homenagem ao Amigo


MORREU MAGALHÃES PINTO, EX-VICE PRESIDENTE DO EXTINTO BPA
António Adélio Magalhães Pinto, antigo vice-presidente do extinto Banco Português do Atlântico e biógrafo do empresário Belmiro de Azevedo, deixou-nos inesperadamente. Um ataque cardíaco fulminante.

Perdemos o amigo.

Sempre ligado à Economia, mantinha as suas crónicas no jornal VIDA ECONÓMICA.

Natural do Porto, Magalhães Pinto teve uma curta carreira política enquanto militante do PSD. Estreou-se na actividade literária em 1994, com o romance A Dúvida.

Publicou a biografia autorizada Belmiro - História de Uma Vida (2001) e os romances Os Heróis e o Medo (2003) e Não Haverá Amanhã (2010).

Da sua obra constam ainda os livros de crónicas A Feira do Sucesso e O Meu Primo Calisto e a narrativa romanceada A OPA do Banco Comercial Português

Estive no seu último lançamento, NÃO HAVERÁ AMANHÃ, onde expressa a sua grande desilusão pelo modo de fazer política em Portugal, como estive em todos os outros.
Guardo os seus livros em lugar de destaque com as suas dedicatórias, sempre simpáticas, a este seu amigo.

Continuou a trabalhar na escrita e na Consultadoria até ao fim dos seus dias, pois trabalhava pelo prazer que isso lhe dava.

Foi com Cavaco Silva que chegou à Direcção Nacional do PSD.
Anos mais tarde, desiludido com a política, deixou de exercer cargos partidários.

Além do Amigo, perdemos um prestigiado Economista e Escritor.

DESCANSA EM PAZ, ANTÓNIO

domingo, 11 de setembro de 2011

MÊDA e a sua ADEGA COOPERATIVA


Texto Publicado na Rádio Monsanto
by Joaquim Fonseca.

A Adega Cooperativa de Mêda retomou agora a actividade, três anos após o encerramento das suas instalações.

“A Cooperativa de Mêda foi fundada a 19 de Dezembro de 1956, recebendo as primeiras uvas em Setembro de 1958. Nesse ano, 128 associados entregaram 606.976 kg, que produziram 463.551 litros de vinho.

O Município de Mêda, exerceu todas as influências junto dos diversos agentes envolvidos para recuperar financeiramente a Adega Cooperativa e para que a situação de falência fosse o mais rapidamente ultrapassada.

Na campanha deste ano, a Adega de Mêda, além das uvas provenientes das zonas pertencentes à Região Demarcada do Douro, recebe também, nas suas instalações uvas provenientes de vinhas de todo o concelho, apresentando-se assim como uma mais-valia para os produtores que não possuem vinhas na região demarcada.

Cria-se, desta forma, uma enorme oportunidade de ajuda aos viticultores do concelho, uma vez que antigamente a adega apenas podia aceitar uvas provenientes de 4 freguesias que pertenciam à Região Demarcada do Douro. Esta medida, visa promover o concelho medense como um todo, criando novas oportunidades, pois para além do «Vinho Fino» (nome dado ao Vinho do Porto), também se produzem excelentes vinhos da Beira Interior e vinhos de altitude. Podemos mesmo dizer que o concelho de Mêda se reveste de características geográficas/geológicas únicas.

O Município entendeu que a Adega Cooperativa de Mêda é um pilar fundamental da vida económica do concelho e não podia ficar alheio às dificuldades que os agricultores/viticultores sofrem, especialmente em tempos de conjuntura de grave crise que o país atravessa."

BREVE HISTÓRIA DA ADEGA COOPERATIVA DE MÊDA

A Cooperativa de Mêda foi fundada a 19 de Dezembro de 1956, recebendo as primeiras uvas em Setembro de 1958. Nesse ano, 128 associados entregaram 606.976 kg, que produziram 463.551 litros de vinho. Durante o ano de 1959 foram obtidos os primeiros resultados com a venda de 115.920 litros de vinho”.

Inexplicavelmente no início do ano de 2009, foram os associados confrontados com o encerramento das instalações da sua Cooperativa.
Despedimento colectivo do pessoal e o abandono quase total de um património conseguido ao longo de 53 anos.
Ao longo da sua existência, entre altos e baixos, foi a Cooperativa a forte instituição dos lavradores de algumas freguesias do concelho que fazem parte da região “demarcada do Douro”.
Geradora de emprego certo e seguro, durante muitos anos.
Os pequenos lavradores entregavam as suas uvas e recebiam o produto do seu trabalho, que cobria as despesas de manutenção das suas vinhas e ainda conseguiam fazer alguns pequenos investimentos.
Os produtores de “generoso” tinham assegurado o escoamento e lá ia dando para a manutenção das vinhas que também produziam o famoso “vinho de pasto da Mêda”, sendo este também pago a valores razoáveis.
Não foi apenas a crise no sector dos vinhos que inverteu a tendência e o equilíbrio do não pagamento das colheitas ao associado.
A par dos investimentos necessários também subiu a facturação.
As contas estavam equilibradas até ao ano de 2000, como se pode verificar pelos Balanços da altura.
Foi a partir do ano de 2001 que se iniciou o descalabro. Colheitas não integralmente pagas e preços irrisórios para as uvas produzidas.
Aumentos de Capital obrigatórios, mas substancialmente acrescidos ao que estavam legalmente mandatados.
Pagamentos da dívida aos Bancos em vez dos pagamentos aos Lavradores.
Começou a debandada e a cada vez menor entrega de uvas por parte dos associados, pois não viam os pagamentos ser-lhes efectuados.
Acresce que muitos dos agricultores preferiram “abandonar as vinhas”, vendendo as respectivas licenças, muitas delas, para fora do concelho. Outros apenas entregavam parte das suas colheitas.
De uma Cooperativa forte e sólida passou a uma Adega de sobrevivência.
A gestão, completamente amadora, não soube responder aos desafios do mercado e do equilíbrio das contas.
Erros comerciais e de gestão foram-se acumulando.
Pessoal a mais desde que a Facturação passou para metade da dos anos 90 e 2000. Foi o deixar correr sem intervenção firme para alterar a situação caótica que se começava a sentir.
Foram feitos, por diversos associados, os alertas necessários, mas a Gestão fazia “ouvidos de mercador” e prosseguiu a política comercial ruinosa, vendendo ao desbarato o “vinho de mesa”, engarrafado e rotulado.
Com a cada vez menor entrega de “uvas beneficiadas”, fugiam também as de “casta” e as despesas fixas sempre em crescendo.
Ficavam as “uvas de pasto” que eram pagas a preço que mal dava para que o agricultor pudesse pagar as despesas da vindima.
Nas Assembleias, apenas uns poucos alertavam para as consequências futuras da política seguida pela Direcção, mas não eram ouvidos. Gerava-se a confusão e as acusações mútuas e pessoais. Aprovavam-se Contas sem serem devidamente debatidas e discutidas.
O controlo ou o “descontrolo” das Contas, até permitiu “desvios de Caixa”. O mais curioso da situação, a fazer fé no último Balanço, referente a 2008, é que não se compreende o abandono da Cooperativa e o “encerramento”, sem uma qualquer opção apresentada aos associados.
A “insolvência” não é possível, face ao Balanço de 2008.
A “viabilidade” é outro assunto, mas a “insolvência" NÃO. "


Obrigado, Joaquim Fonseca

O abraço a todos os Medenses de boa vontade